Em que é que consiste o trabalho de produção? Porque é que o setor da cultura - que deve tanto a quem constrói os orçamentos, contrata as equipas, submete as candidaturas – se dedica tão pouco a pensar sobre ele? Que histórias é que estas produtoras guardam para si? Neste espetáculo, uma produtora sobe a palco e aproveita os seus 60 minutos de fama. “Reparo” é um monólogo, mas é também a sua Ted Talk, o seu show de stand-up comedy, o solo acappella que lhe está destinado; é a oportunidade para que esta produtora saia da zona de reparação, da oficina no subpalco, para que se repare esta invisibilidade a que as produtoras foram sujeitas, mas, sobretudo, o momento para que se repare nela. Passou toda a vida nos bastidores, com pezinhos de lã, a engolir as suas palavras e as dos outros. Agora que está finalmente sob o holofote, não vai deixar nada por dizer.
A criação desta peça, escrita por Mariana Dixe, será alimentada por entrevistas a várias produtoras, ao longo dos meses de escrita do texto e ainda durante a fase de ensaios, para que as experiências relatadas, apesar de reunidas numa única voz, sejam coletivas, diversificadas e anónimas.
REPARO
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Texto e encenação: Mariana Dixe
Cocriação e interpretação: Patrícia Gonçalves
Cenografia: Luna Rebelo
Desenho de luz: Teresa Antunes
Sonoplastia e composição musical: Mestre André
Operação de luz: Hélio Pereira
Operação de som: Mariana Guedelha
Design de comunicação: Raquel Graça
Produção executiva: Belisa BrançasProdução: Maratona – Associação Cultural
Apoio à residência: Encontro MEXE, Teatro Oficina
Coprodução: Teatro Ribeiro Conceição
Apoio à criação: Encontro MEXE, Companhia de Actores, Teatro do Noroeste, Casa das Artes de Famalicão, Teatro Mosca, Ponto C, O Teatrão
Apoio: República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes -
A anunciar.
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A origem etimológica de “trabalho” está no latim tripalium, que descrevia um instrumento feito de três estacas de madeira por significar, de forma mais literal, “três paus”. O tripalium era usado na Roma Antiga como instrumenta de tortura e gerou o verbo tripaliare, que significava "torturar" ou "causar sofrimento". Em diálogo com o tema do espetáculo, a Maratona propõe uma oficina de escrita criativa, com vista à criação de um texto individual com forte caráter autobiográfico, que convida os participantes a escreverem um monólogo sobre as suas profissões, trabalhos ou ofícios.
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“As Produtoras - Produção e Gestão cultural em Portugal”, Vânia Rodrigues
“Modus Operandi - Produção e Gestão nas Artes Performativas”, Vânia Rodrigues
“So You Want To Be A Theatre Producer?”, James Seabright
“Alegrias e tristezas do trabalho”, Alain de Botton
“A Abolição do Trabalho”, Bob Black
“O direito à preguiça”, Paul Lafargue
“A sociedade do cansaço”, Byung-Chul Han